Usuários têm que poder usar o site. De verdade

Dizer que os usuário têm que poder usar um website parece ser declarar o óbvio. Se navegarmos um pouco pela web, no entanto, veremos que em grande parte dos casos a maneira como os sistemas foram desenvolvidos impedem que o público efetivamente use os websites.

Quando falo em usar, quero dizer que o visitante deve poder fazer aquilo que a web, conforme foi concebida, permite e até mesmo incentiva.

Um usuário deve poder, sem grandes dificuldades, copiar o texto de uma página, imprimi-la corretamente, salvá-la, encontrá-la no Google.

Ele deve ir além. Deve poder ler a página com folhas de estilo que não as recomendadas pelo desenvolvedor, deve poder acessá-la em outros meios que não o navegador tradicional (leitores de feeds, celulares, PDAs, leitores de tela), deve poder traduzi-la em ferramentas como a do Google, deve poder gravar deep links etc.

Parece simples. E efetivamente é, não fosse a falta de uma cultura de desenvolvimento centrado no usuário. O que fazem muitos desenvolvedores atualmente?

Criam sites inacessíveis em Flash, tentam impedir que o usuário copie o conteúdo, deixam a navegação dependente de JavaScript, metem tudo em frames e iframes.

Muito disso é feito em nome da estética ou de visões arcaicas sobre propriedade de conteúdo. Quem desenvolve – ou manda desenvolver – para web deveria ter em mente que internet não é um meio passivo, que computador não é televisão.

O usuário não vai ficar muito tempo sentado na cadeira assistindo às animações em Flash ou somente lendo, lendo e lendo. Ele tem que interagir com o sistema, fazer parte daquilo. Quando encontra sites assim, tende a ficar mais satisfeito, a retornar ao endereço, a divulgar para os amigos, a valorizar a marca. Criar sites corporativo no estilo Empresa – Serviços – Contato, onde o link Contato nada mais é que o endereço da firma, dificilmente vai agregar algum valor àquela companhia.

Usuários têm que usar. Desenvolvedores têm que ousar.

Walmar Andrade
Perguntas dos alunos

9 comentários
  • Primeiramente, agradeço pela paciência, e pela atenção na qual você tem com os usuários do Fator W.Ja deixei alguns recados aqui, e todos foram devidamente respondidos.Obrigado.Em Segundo lugar, agradeço novamente pela a ideologia do site, colaborando para que as pessoas façam um trabalho de qualidade.Ja para mim Adriano, onde apenas estou começando neste mundo da informática fazendo curso técnico e trabalhando com isso, fique sabendo que este site me ajuda muito a esclarecer alguns conceitos e duvidas onde eu e qualquer uma pessoa pode ter.Tiro algus minutos do meu trabalho para vier as novidades…Valeu!!

  • Concordo com você Walmar, muitos desenvolvedores hoje em dia só querem saber de fazer sites em flash, por que será, tem preguiça de adotar os padrões, acham difícil? Eu mesmo tenho um amigo que só sabe desenvolver sites em flash, se você pedir para ele desenvolver um site em XHTML e CSS, ele vai ficar perdido, parece mentira, mas é a mais pura verdade.

  • E o que fazemos com todo o pessoal sem cultura de desnevolvimento centrado no usuário? O que fazer com essa porrada de site que saem dia-à-dia, com erros e inacessiveis?

    Alem de mostrar como deve ser, deve haver um movimento pra conciêntizar!

    Abraços

  • Muito bom o artigo. Acho que boa parcela da culpa dos sites serem assim, são os cursos que enchem a boca pra falar que da aula de HTML, DW, FW e FL, e os cursos colocam qq pessoa pra dar aula, afinal HTML e DW é “muito fácil”. Sou do tempo em que Usabilidade e Webstandard existiam nos primeiros navegadores.

    A web veio para agilizar e facilitar abusca de informação. Desde quando comecei a ensinar HTML, fazia/faço questão que os HTMLs sejam lidos em qualquer browser, mesmo não usando CSS. Evitanto tags que só roram em navegadores específicos. Hj em dia Webstandard está na moda por esse nome novo. Na verdade isso existe desde o início da internet.

  • Um site não pode privar o usuário de usar as ferramentas padrão do navegador, como impressão e seleções de texto. Mas muitos não compreendem ou não querem compreender isso, e acabam por investir em um site todo em Flash.