Quem enche o título de palavras-chave esquece-se dos ceguinhos

O truque de SEO é bem conhecido. Para otimizar os resultados no Google, o site coloca na tag title, além do nome do projeto, um curso de palavras-chave que tenham relação com os objetivos do projeto. Por exemplo, se usasse a técnica neste site, você leria no topo do navegador algo como “Fator W – Web standards, usabilidade, acessibilidade, arquitetura de informação, webwriting, design, mobilidade”. Ótimo para o Google, péssimo para os deficientes visuais.

Existe uma regra que nos diz que o Google é o maior usuário cego que seu projeto web pode ter. Em parte isso é verdade. Os robôs do buscador lêem as páginas assim como as leitoras de tela usadas pelos deficientes visuais para navegar na web, com a diferença que eles vão indexando tudo o que capturam de acordo com o que foi declarado pelo desenvolvedor da página.

Por exemplo, tudo o que está entre uma par de tags li é indexado como item de uma lista. Tudo o que está entre um par de tags p é indexado como um texto de parágrafo e assim sucessivamente. Claro que isso só vai ser verdade para os sites desenvolvidos por pessoas que já saíram da idade das trevas e produzem códigos semânticos.

Algumas tags tem, teoricamente, uma relevância maior para os resultados do Google. Por exemplo, a informação de um cabeçalho de primeiro nível (h1) é na teoria mais relevante do que um texto de parágrafo. E a mais relevante de todas as tags, seguindo esta lógica, seria o title. Por isso quando digitamos o nome de uma empresa no Google o site da própria empresa possivelmente vai ser o primeiro a aparecer – o termo buscado está na tag title.

Aproveitando-se disso, os desenvolvedores tascam palavras-chave no title na tentativa de aparecer melhor nos resultados dos buscadores. Se a pessoa procura por web standards e o termo está lá no title do site, crescem as chances de ele aparecer nas primeiras posições, muito embora isso dependa do número de referências feitas através de links em outros sites.

Experimente agora entrar em um site que usa essa técnica usando leitores de tela como o DOSVOX, por exemplo. A voz sintética vai ler o título completo cada vez que carregar uma página. Em vez de um simples “Fator W”, o deficiente visual vai ter que escutar ainda “web standards, usabilidade, acessibilidade, arquitetura de informação, webwriting, design, mobilidade”.

Navegar na web sem visão através de leitores de tela já é uma atividade que requer um nível de paciência grande, sobretudo pela falta de respeito dos desenvolvedores e seus projetos inacessíveis. É preciso refletir até que ponto vale a pena encher o title de palavras-chave para tentar aparecer melhor no Google. Melhor seria usar web standards, código semântico e conteúdo de qualidade. Aparecer bem nos resultados é mais uma conseqüência de um trabalho bem feito do que o uso de truques questionáveis.

Walmar Andrade
Perguntas dos alunos

4 comentários
  • Não é porque você está em primeiro nos resultados da busca do Google que você será o mais clicado. Se os títulos de resultados abaixo forem muito mais específicos e sedutores, os usuários vão clicar mais neles do que no seu título. Com o tempo, o site mais clicado sobe de posição, pois o Google considera número de cliques sobre os resultados.

  • Fato é que virou moda esse negócio de SEO, otimização, marketing online… em breve tenho certeza que o Google, pelo tamanho que tem, vai desenvolver novos critérios para o seu “pente fino” e tudo isso será obsoleto e inútil (assim como as keywords eram a chave do sucesso ontem e hoje não são nada). O que de certa forma é bom. É muito chato entrar em um site com a frase: “ache aqui o que você procurava na versão 1.2.3.4.5 com crack e download completo” e na realidade se trata de um link gerado, ou uma frase gerada, ou um título com “palavras quem sabe entra mais gente”, para pegar você…