Testar é preciso, heurística não é preciso

Os estudos de usabilidade aumentaram enormemente desde a popularização da disciplina, feita especialmente por meio dos artigos e livros de Jakob Nielsen.

Diferente do que havia nos primeiros anos da internet, hoje em dia existem toneladas de informações disponíveis sobre como os usuários comportam-se diante de uma interface web.

As diretrizes de usabilidade baseiam-se no comportamento geral de usuários pela maioria dos sites e também nas descobertas específicas de gêneros de sites.

Ou seja, as pesquisas possuem informações sobre como o usuário se comporta de maneira geral e como se comporta em casos específicos, como em um site de e-commerce, por exemplo.

Sendo assim, com tanta pesquisa já feita e com tanto material disponível, tudo o que o desenvolvedor tem a fazer é pegar as diretrizes de usabilidade que comprovadamente funcionam para os casos gerais e acrescentar aquelas que digam respeito ao segmento específico do projeto, certo?

Nem tanto.

As heurísticas são bastante úteis para usarmos em nossos projetos e fazendo isso estaremos evitando centenas de problemas de usabilidade, mas elas não são tão precisas. Por isso, os testes de usabilidade continuam sendo tão necessários.

As questões especiais do seu projeto

Embora haja informações sobre a maioria dos projetos web, o seu projeto em especial provavelmente tem questões tão específicas que não são abordadas em nenhuma pesquisa.

Só você poderá descobrir quais são esses problemas e como resolvê-los. E a maneira mais precisa de fazer isso é por meio de um teste de usabilidade.

Os testes tradicionais com empresas especializadas podem ser financeiramente inviáveis para a maioria dos projetos, mas isso não é motivo para deixar de realizar os testes.

Use a criatividade. Promova alguns testes mais informais, use recursos como o RobotReplay, observe as pessoas usando seu site.

Tenho em mente que um projeto com usabilidade no melhor nível possível começa com desenvolvedores projetando se colocando no lugar dos usuários, seguido de uma boa avaliação heurística e terminando com os testes de usabilidade.

Walmar Andrade
Perguntas dos alunos

5 comentários
  • Eu acho que uma básica avaliação heurística ajuda SIM.

    Acho que qualquer preocupação com usabilidade, é melhor do que entregar cru, sem testar ou tentar arrumar nada.

    Lógico que AH é uma coisa genérica, mas com certeza existem coisas que são básicas em serem verificadas em um projeto, que uma AH dá conta.

    Mas nada substituti um teste, mas acho que só o teste nõ adianta nada, achar erros em websiteé muito fácil, o problema são corrigi–los sem muitas vezes piorá-los 🙂

  • Oi Walmar. Ao ler o texto, acho que entendi a essência do que você quis passar e acho o assunto muito bom.

    Foi vendo o título do post que fiquei meio danado, pois discordo que “Testar” seja um procedimento que ofereça precisão. Testar é bacana, mas ainda é um negócio meio caótico mesmo – cada um é cada um, e os erros são capturados de maneira meio caótica (da maneira que tem que ser mesmo).

    Eu adoro testes de usabilidade, mas não consegui entender onde está a precisão (a não ser que você tenha usado “precisão” no sentido de necessidade, e não de precisão no sentido métrico, de ser um procedimento confiável). A margem de subjetividade em testes de usabilidade consegue ser maior ainda do que a de avaliações heurísticas. Acho os testes de usabilidade necessários, porém não-precisos pelo universo de coisas que pode acontecer ou simplesmente não acontecer durante os testes.

    Se o procedimento de análise heurística for feito da forma como você descreveu, realmente tem tudo para dar errado. A visão de análise heurística como simples “checklist” para desenvolvedor simplifica demais as coisas, emburrecendo a técnica de uma maneira injusta e caricata.

    Pessealmente, acho que uma abordagem que concilie as duas técnicas seja o melhor caminho. Tem gente jogando pedra nas heurísticas como se elas fossem o cão, mas tem algo de bom nelas, principalmente para quem já tá usando a um tempo e já conseguiu contornar essas dificuldades que vc relatou no texto. Abraços, tudo de bom =)

  • Nandico,

    O título é uma referência à poesia de Fernando Pessea que diz que “navegar é preciso, viver não é preciso”. O “preciso”, como no poema, é tanto referente à necessidade quanto à precisão.

    Concordo contigo que os testes possuem uma margem de subjetividade maior do que as avaliações heurísticas, o que quis dizer é que para encontrar defeitos em um site específico realizar um teste é mais preciso (no sentido de precisão) do que uma avaliação heurística, pelo fato de estar analisando especificamente este projeto.

    Mas minha visão é igual a sua, a conciliação das duas técnicas, como já falei aqui anteriormente, é o que mais se aproxima do ideal.

  • Oi Walmar! Obrigado pela atenção que você recebeu o comentário.

    Na linha desse assunto que a gente tá conversando, um tempo atrás o Moisés Ribeiro me mandou um link interessante: uma entrevista de Rolf Molich sobre o assunto. Apesar do Rolf ser meio controverso, vou deixar o caminho também por aqui por achar que é uma visão a ser considerada.

    http://www.upassoc.org/upa_publications/upa_voice/volumes/2006/december/rolf_molich.html

    Mais uma vez, valeu! Parabéns pela dedicação que você toca o blog: tá cada dia mais fera! =)