Seria o usuário um imbecil?

Todos os desenvolvedores web que procuram ver os projetos sob ponto de vista do usuário partem do pressuposto que um projeto na internet, embora tenha seu público alvo, pode ser acessado, na maioria dos casos, por gente com diferentes níveis de experiência – desde uma pessoa que quase não usa a internet até gente que passa horas por dia na frente de um computador.

Aí é que está o grande desafio de elaborar um projeto que possa ser usado pelos menos experientes e que ao mesmo tempo não seja raso demais para aqueles que já têm bons conhecimentos de navegação. O melhor meio de se conseguir isso é seguir as regras da boa usabilidade.

Quem defende layouts não-convencionais (e conseqüentemente não aproveita a experiência anterior do usuário em seus projetos) costuma afirmar que os defensores da usabilidade escolhem sempre usuários imbecis para fazer os testes e que os resultados não se aplicam a usuários experientes.

Ora, se um site ou seja lá qual for o projeto não leva em consideração a experiência inicial do usuário, como ele espera formar mais usuários experientes? Uma interface complicada pode fazer com que mais e mais pessoas desistam de usar determinado sistema por conta das dificuldades de aprendizado.

“Ah, mas o usuário da vida real – e não os dos testes de usabilidade – pode superar dificuldade em projetos complexos”. Sim, é claro que podem. Mas eles querem? Por vezes é preciso desbravar um site mal formulado simplesmente porque a informação é necessária. Isso mostra a capacidade do usuário, ou ao menos de parte deles.

O que devemos pensar na verdade é: ele não sairia muito mais satisfeito se tivesse encontrado o que queria sem gastar tempo e neurônios só para aprender como navegar na complexidade de seu site? Qualquer barreira que atrapalhe o uso pode aumentar a experiência negativa do usuário em relação a um site e, conseqüentemente, à marca que existe por trás daquele site.

Por fim, é sempre preciso considerar que existem pessoas com diferentes níveis de cultura, de instrução e de inteligência mesmo. É difícil mensurar com exatidão quantos por cento do público-alvo de um projeto tem grau de conhecimento X ou Y, mas é plausível que um projeto procure atender a maior fatia de público possível dentro daqueles que podem se interessar pelo mesmo.

Quantos clientes potenciais uma empresa gostaria de desperdiçar? A resposta, todos sabemos, é nenhum. Claro que isso é utopia, mas, em se tratando de ambiente web, um site usável tanto para iniciantes quanto para experientes pode nos ajudar a chegar perto disso.

Walmar Andrade
Perguntas dos alunos

2 comentários
  • Sensacional… Parabéns Walmar… Muito bom 😉

    Um usuário pode ser imbecil, mas continuará imbecil se desenvolvedores continuarem criando projetos pouco “usáveis”, difíceis de serem manipulados e navegados por usuários leigos, entre outros fatores…

    Se queremos que usuário fiquem mais experientes, que façamos isso também e naum somente esperarmos que os usuários batam cabeça até descobrir algo…

    Que usuários batam um pouco a cabeça, sim, mas que também possamos ditar um caminho para que eles naum fiquem amnésicos, de tanto baterem cabeça 😉

    Viva a usabilidade o/

  • Concordo plenamente com o que foi dito e dou ênfase no que nosso amigo Dulcetti disse, temos que educar mais e melhor os nossos usuários.