Revista Webdesign: Como se preparar para escolher um gerenciador de conteúdo

Revista Webdesign: Como se preparar para escolher um gerenciador de conteúdo

Matéria publicada na Revista Webdesign número 33, de setembro de 2006, sobre gerenciadores de conteúdo.

Na edição de dezembro de 2005, quando abordamos quais conceitos e tecnologias continuaram em alta e quais caíram em desuso, o professor Carlos Bahiana, da PUC-Rio, anunciava que a popularização dos gerenciadores de conteúdo web (CMS – Content Management System) traria uma diminuição na produção de sites feitos de “maneira artesanal, página a página, com alimentação feita por FTP e necessidade de alterar dezenas de arquivos HTML a cada atualização de design”.

Quando analisamos os sistemas disponíveis no mercado, sejam eles comerciais ou de código-fonte aberto, a quantidade de novos sites ou que foram remodelados a partir da inclusão de um gerenciador e a opinião de especialistas neste mercado, o tiro de Bahiana parece ter sido certeiro.

“A era dos sites sem gerenciadores de conteúdo, de algum tipo, chegou ao fim. Cada vez menos veremos sites feitos ‘apenas’ em HTML, sem um sistema de retaguarda. Desde blogs até grandes sites de notícias, passando por sites institucionais de todos os tamanhos. Pode-se comparar esta transição ao começo da era industrial. Sites são produtos que saem do processo artesanal e se tornam cada vez mais industriais, sem perda de qualidade, é claro”, afirma Érico Andrei, diretor de Tecnologia e Parcerias da Simples Consultoria (www.simplesconsultoria.com.br).

O que avaliar na hora da escolha

Assim, na hora de definir que tipo de gerenciador será utilizado em seu projeto web, alguns fatores devem ser avaliados. “Acredito que os principais passam pela adequação às necessidades do projeto e, se for o caso, a compatibilidade com o sistema que já é utilizado (se é em PHP, ASP ou outra linguagem, por exemplo). Não é inteligente ter um CMS capaz de gerenciar um portal se você vai publicar um blog, e vice-versa”, afirma Walmar Andrade, gerente de criação da SX Brasil Comunicação Digital (www.sxbrasil.com.br).

Além disso, flexibilidade para adaptação da interface, segurança e facilidade no uso são outros aspectos a serem levados em conta. “Analise se a ferramenta se encaixa em seus recursos e necessidades de layout e de estrutura de conteúdo. Segurança é um fator que cresce muito com o porte da empresa. Muitas ferramentas bem conhecidas foram tachadas de inseguras e prejudicadas com isso”, explica Guilherme Capilé, diretor de operações da Tecnodesign. “É importante avaliar a facilidade de uso, principalmente para os produtores de conteúdo (que manterão o site) e também para os outros profissionais envolvidos (arte e tecnologia). Não adianta escolher um CMS que não se encaixe no perfil de sua equipe”, argumenta Érico.

Perfil do site influi na escolha?

Definitivamente, a resposta parece ser sim. Ainda mais quando pensamos nas novas tecnologias que apontam para a tendência do desenvolvimento de sites cada vez mais dinâmicos.

“Quanto mais dinamismo se quer em um website, maior é a necessidade de se automatizar a forma que as informações devem estar disponíveis. Estes são os principais candidatos a gerenciadores de conteúdo. Se um website não vai ter nenhuma alteração durante meses, o investimento pode não valer a pena. Além disso, muitas vezes se imagina que um website com um layout muito sofisticado não se encaixe no perfil para gerenciadores de conteúdo. Isso vale se você estiver olhando para as ferramentas que são mal-projetadas e limitam a flexibilidade do website”, diz Capilé.

Além desses perfis, a designer e ilustradora Carolina VignaMarú (www.vignamaru.com.br) acrescenta nesta lista os sites que vão apresentar massa crítica de conteúdo e aqueles em que o cliente quer uma certa independência. “Quando o seu site é muito grande, por mais que use a dupla dinâmica CSS e PHP, você pode ter muitas dores de cabeça na hora de fazer um grande redesign. Com um CMS, a coisa fica muito mais simples, o que significa também mais rapidez e, portanto, menos custo”.

Vantagens e desvantagens no uso de um gerenciador

Assim como toda tecnologia, é preciso estar consciente que os sistemas de gerenciamento de conteúdo vão apresentar diversas facilidades ou determinar alguns obstáculos na administração de projetos web.

Sobre as vantagens, o fato de o conteúdo ficar dissociado da estrutura parece ser a principal delas. “Na fase de produção, essa separação facilita muito o andamento dos processos. Para os designers possibilita, por exemplo, criar templates que servirão de modelos para cada seção, acabando com o trabalho de produzir dezenas de páginas”, aponta Christian Laurito, diretor de criação da E4W Solutions (www.e4w.com.br).

Outra vantagem, segundo Christian, é que assim que a arquitetura de informação estiver definida dentro do gerenciador, os webwriters podem começar a incluir o conteúdo do site, antes mesmo de o design estar pronto. “Na fase de manutenção, os benefícios são evidentes. Podemos citar, por exemplo, a possibilidade de atualizações remotas no caso dos publicadores web. Sabemos também que, em alguns projetos, o mesmo texto pode aparecer em lugares diferentes do site. Nestes casos, se ele for alterado através da ferramenta, todas as matérias são atualizadas automaticamente, podendo inclusive apresentar visuais diferentes”.

Mas, se por um lado a independência oferecida pelos gerenciadores na hora de se administrar o conteúdo de um site seja apontada como uma grande vantagem em seu uso, de outro ele se torna um desafio para garantir o controle de qualidade do projeto. “O conteúdo, incluindo normas ortográficas, fica por conta dos colaboradores. O mesmo vale para as imagens publicadas. Nestes casos, a estética do site passa a depender também do bom gosto dos profissionais que as publicam. E nós, designers, sabemos que são necessários um mínimo de sensibilidade e conhecimento para selecionar e preparar boas fotos antes de publicá-las, por exemplo”, ressalta Christian.

Em termos da identidade visual, os especialistas consultados nesta reportagem foram unânimes em afirmar que os gerenciadores de conteúdo não prejudicam a qualidade estética de um site. “Os CMS são extremamente versáteis. É claro que restrições existem, mas vamos encontrá-las em qualquer téc. nica, linguagem e ambiente. É função do designer saber lidar com elas e contorná-las”, afirma Carolina. “Se o gerenciador não tem uma flexibilidade para se adaptar ao design projetado, não deve ser escolhido. O CMS deve se adequar ao projeto, e não o contrário”, finaliza Walmar.

Opções disponíveis no mercado

“Para blogs, indicaria de olhos fechados o WordPress (www.wordpress.org), que tem uma flexibilidade tremenda e, por ser de código aberto, possui centenas de plugins e está sendo sempre aprimorado. Foi feito para gerenciar blogs, mas pode sem problemas ser usado em sites. Quem estiver a procura de gerenciadores para projetos menores, uma boa alternativa é visitar o OpenSourceCMS (www.opensourcecins.com), que permite testar gratuitamente, sem instalar nada, gerenciadores como Joomla, Mambo, Drupal e dezenas de outros.” (Walmar Andrade)

“No momento, as sugestões passam pelo Plone (www.plone.org) opção escolhida pelo governo federal e diversas organizações como IDG, Larousse, OAB-SP e Universidade Metodista), o WordPress e o MediaWiki (www.mediawiki.org).” (Érico Andrei)

“Sou fã do Mambo (www.mamboportal.com). É poderosíssimo e tem uma interface gostosa, fácil de usar e simples de aprender.” (Carolina Vigna-Marú)

“O Pindorama (http://pindorama.sf.net), ferramenta de código-fonte aberto, foi projetado tendo em vista a flexibilidade total para o website (layout e conteúdo) e segurança (como gera arquivos estáticos no website, pode não oferecer risco algum ao cliente).” (Guilherme Capilé)

“Vou citar três opções nas quais a E4W tem experiência: Publique (www.publique.com.br), Calandra (www.calandra.com.br) e Vignette (www.vignette.com).” (Christian Laurito)

Walmar Andrade
Perguntas dos alunos