Trabalhando uma rede de pessoas

Desde que toda essa história de internet começou a ganhar corpo, em meados dos anos 1990, tornou-se senso comum tratarmos o assunto dentro do escopo da tecnologia.

Talvez por influência dos filmes de ficção científica e seus devaneios futurísticos, a internet ganhou o inseparável aposto de rede mundial de computadores.

Quem a enxerga dessa forma pode ficar preso a detalhes técnicos, códigos, hardwares e quejandos, deixando de perceber que estamos na realidade tratando de uma rede mundial de pessoas.

Estou inserido nesse mundo mais ou menos desde 1994, quando participava de redes menores através de BBS.

Desde aquele tempo, tinha na cabeça que tudo aquilo era mais sobre conectar indivíduos rompendo a barreira do espaço e do tempo do que sobre tecnologia em si mesma. Talvez por isso eu tenha feito graduação em Comunicação e não tem algum curso mais voltado para tecnologia.

Mais de uma década se passou e ainda há muita gente – profissionais da área, inclusive – tratando a web como uma rede de computadores, pensando antes na tecnologia e depois no indivíduo, privilegiando uma linha de comando no lugar de uma forma fácil de interação.

Na minha opinião, quem age assim está perdendo oportunidade de criar serviços que sejam realmente relevantes para as pessoas, que são realmente os pontos que formam essa extraordinária rede que conhecemos como internet.

Por isso, minha sugestão para quem estiver envolvido com algum projeto web é pensar primeiro no usuário, em como resolver o problema das pessoas, e só depois ver como a tecnologia pode servir para implementar esta solução. A tecnologia é o meio, mas o fim são os indivíduos.

Walmar Andrade
Perguntas dos alunos

12 comentários
  • Faço do Jailton as minhas palavras… quando pensarmos que o computador é apenas uma ferramenta e o que ainda faz a diferença é quem está utilizando-a poderemos dar novos e importantes passos.

  • O grande Donald Norman bate muito nessa tecla das coisas para as pessoas.

    As pessoas usam a internet para resolver problemas. É por isso que ela é útil a um número cada vez maior de pessoas.

    Não sei se você já teve a oportunidade de ler o livro do Norman “O Design do dia-a-dia”. O livro é antigo mas ainda continua com temas muito atuais. Se ainda não, coloque na fila.

  • Disse TUDO Walmar, os desenvolvedores esquecem que por trás dos computadores existem pessoas que os operam e é a elas que a tecnologia deve servir, o hardware é apenas o intermediador de relações humanas, hj um ponto e virgula, um traço e um parenteses pode representar sentimentos e não somente caracteres.

    Excelente parabéns

  • Eu sou um desenvolvedor que acho que, embora meu enfoque seja obviamente no lado técnico da coisa, eu enxergo a realidade do usuário, das pessoas. Um exemplo que noto atualmente é o do Second Life, que é um mundo virtual em 3D. Os mais geeks criticam negativamente até o fim, chamando aquilo de “joguinho”, “bate papo em 3D”, “perda de tempo”. Pois eu digo que o Second Life é a futura interface da Internet. E na verdade essa minha briga com os meus colegas já vem desde a época da transição do DOS para o Windows. O Windows era mais lento e “cheio de desenhozinhos”, então eles chamavam aquilo que “coisa de jogador de video-game”. Naquela época diziam que “é muito mais fácil digitar copy c:pasta*.* do que ficar clicando e arrastando ícones”, assim como hoje dizem “pra que ficar caminhando entre lojas virtuais se eu posso clicar em um ícone e ir direto?”. Tudo é sobre tornar o computador mais humano, mais intuitivo, mais “pop”, mas é difícil eles entenderem isso. E muitos de fato ficam para trás, presos a tecnologias antigas, por este motivo. Eu sempre tive prazer pelo que é difundido para todos, não aquilo que fica restrito a poucos. Inclusive sempre gostei até mesmo da antiga frase de Bill Gates “computers on every home, on every desk”. Os nerds não gostam dessa frase. Quem prefere Linux na verdade prefere que as coisas continuem sendo “para poucos”. Mas a Microsoft tá ficando pra trás. Mais uma prova de que o que eu apoio é aquilo que se torna mais acessível a todos, é que eu mesmo já não vejo mais a Microsoft com os mesmos olhos. Infelismente a empresa hoje se mostra dura, pesada e difícil de aceitar as mudanças. Eu aposto muito mais numa Google com sua Web 2.0 e num Second Life, que tem crescido também exponencialmente.

  • Mais um ótimo texto Walmar, mas é bom não misturar as bolas pensando na Web e na Internet como uma coisa só. Tenho um professor com esse costume e vira e mexe ele usa “web” para não repetir “internet”, isso me deixa louco. 😛

    Lembrar que a Internet é a estrutura da rede em si, onde tudo funciona de forma descentralizada, a parte estrutural. A Web é a parte de hipertexto, toda essa informação e pessoas.

  • Caro Walmar,

    Mais um post de altíssima qualidade! Parabéns. Aliás, você já é figura carimbada nos meus votos do Rec6, e merece cada um deles 😉

    []’s

  • Com certeza… A Simplicidade é essencial na web. Só depois de pensarmos nos usuários e que devemos implantar algum tipo de tecnologia, desde que venha a melhorar a experiência do visitante.

  • Concordo Walmar.
    Eu que entendo um pouco de AJAX, sei como esta moda fez mal pros desenvolvedores que não tem o usuário em mente.
    O que tem de pessoa querendo “implantar ajax” no site só porque é uma tecnologia da moda não tem conta.
    Eles complicam a vida do usuário só por causa de uma tecnologia nova.

  • Ótimo artigo!
    Quem me indicou esse artigo foi o Drung.
    O que falta é parar de usar o software como bode-espiatório para falta de competência na hora de desenvolver um aplicativo de qualidade e que supra as necessidades do usuário de uma forma simples. A maioria dos “desenvolvedores de softwares”, cria aplicativos cheios de “O sistema não deixa…”, que acabam virando o inferno astral dos usuários. Está na hora de quebrar esse paradigma.