Minha namorada é uma tag. E das pequenas.

Semana passada levei uma bronca da namorada com a tradicional reclamação da falta de tempo para ela. De início, pensei em refutar. Em argumentar que era apenas uma fase, tendo em vista o crescimento acelerado da empresa.

Desisti desse argumento. Uma fase de três anos pareceu-me longa demais. Decidi então entrar em acordo com ela. Isso aconteceu quando vi no Remember The Milk que ela era apenas uma tag. E das pequenas.

Enquanto tags como Wenetus, Fator W, livros, computador, investimentos ocupam quase toda a nuvem, a tag com o nome dela está lá escondida. Pequenininha. Quase sem tarefas a ela ligada que não seja uma tarde de sábado ou domingo. Quando você dedica mais tempo ao blog que à própria namorada, pode acreditar que há algo errado.

Um dos problemas de conseguir ir bem na vida profissional é que o trabalho parece se alastrar para todo e qualquer tempo livre que você tenha. Se não toma cuidado, por mais produtivo que seja, acaba vivendo única e exclusivamente para o trabalho.

Depois dessa bronca, acabei parando para revisar as tarefas. Cortei tudo o que não era essencial: cursos que eu ia dar, uma palestra que ia fazer em outro estado, saí de sete listas de discussão por e-mail, desassinei 47 feeds de blogs. Decidi também aumentar a equipe da Wenetus e em três dias consegui dois contratos que bancam a bolsa de um estagiário.

Lembrei muito de uma das lições do livro Zen To Done que é o que ele chama de “decluttering”, ou seja, eliminar tudo o que não seja essencial para criar mais tempo para o que realmente importa. Espero que a próxima bronca seja por passar tempo demais com a namorada.

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