Jornal Carreira e Sucesse: No office – tecnologias facilitam o trabalho à distância

Jornal Carreira e Sucesse: No office – tecnologias facilitam o trabalho à distância

Matéria originalmente publicada no Jornal Carreira e Sucesso Edição Número 384, da Catho. Agradecimentos a Angelica Kernchen.

Antes, estar fora do escritório e optar por home office simbolizava o desejo de estar mais em contato com sua vida pessoal, com a família. E virou tendência. Agora, com o aparecimento de novas tecnologias, notebooks, internet móvel, blackberries, nem de escritório se precisa mais. Muitos profissionais trabalham de qualquer lugar onde estejam; essa nova tendência, de não precisar estar instalado em um lugar físico, está sendo chamada de “no office”.

Essa preferência (e às vezes, necessidade) cada vez maior dos profissionais não estarem fixos e fechados em um escritório se deve, segundo o consultor digital Cezar Calligaris, principalmente à liberdade e possibilidade de fugir um pouco da rotina. “Se respeitados os limites dessa liberdade, os profissionais passam mais tempo com a família, perdem menos tempo no trânsito, podem resolver suas questões pessoais. Com isso, a produtividade pode aumentar muito devido ao bem-estar e redução do estresse”, afirma.

Os profissionais que optam por trabalhar sem local físico específico devem ter consciência de que, mesmo não estando em um escritório, estão trabalhando. “O ideal é avisar às pessoas de seu convívio sobre a sua nova situação, informar o horário de trabalho e procurar evitar distrações. Essas distrações podem tanto ser do ambiente (crianças, animais domésticos, afazeres pessoais) quanto do excesso de informação (televisão, rádio, sites não-relacionados ao trabalho, Twitter, Orkut, MSN)”, analisa Walmar Andrade, diretor da Wenetus Interactive, empresa de comunicação interativa.

Calligari concorda, e adiciona que “o principal fator é a disciplina, que pode ser dividida em vários pontos. O primeiro é ter um espaço próprio para trabalhar. Não adianta achar que ele será produtivo no sofá da sala em frente à TV. O segundo é determinar que tarefas devem ser cumpridas, e quais horários e períodos serão reservados para as atividades pessoais. O terceiro, para quem tem família em casa, é educar os filhos para que entendam a hora de brincar e a hora de trabalhar”.

Essa liberdade que as novas tecnologias proporcionaram, de ir e vir trabalhando, também levou à criação de locais como a The Hub São Paulo, que, em um grande galpão, recebe profissionais das mais diversas áreas que alugam espaços ou mesas para montar sua base de operação. Em lugares como a The Hub, os profissionais podem dispor de bibliotecas, internet, cozinha e até espaço para repouso, tendo como vantagem estar em contato com pessoas atuantes em diversos segmentos, que podem ser interessantes para seu network. Convém ressaltar, segundo Calligari, que as empresas terem espaços físicos fixos ainda é o mais comum e, apesar do ‘no office’ não ser novo, modelos como a The Hub ainda estão sendo testados, e podem dar certo ou não. “Alguns anos atrás, apenas pequenas e médias empresas adotavam esse sistema, apesar de hoje já vermos grandes empresas aderindo a esse conceito”, informa.

Porém, estar sempre ‘plugado’ tem suas desvantagens, como não conseguir separar o que é horário pessoal, o que é horário de trabalho. Os profissionais parecem estar sempre à serviço da empresa. Essas novas tecnologias, que foram desenvolvidas, a princípio, para facilitar a vida das pessoas, estão deixando-as muito mais ocupadas e estressadas. É difícil encontrar tempo para o que é importante. E para que isso não aconteça, tudo depende de como utilizar todas essas ferramentas a seu favor.

Segundo Calligaris, passar demasiado tempo conectado ao trabalho pode ser bom ou ruim, depende da cultura da empresa e dos hábitos pessoais. Para muitas empresas, trabalhar até tarde e aos finais de semana é sinônimo de esforço. Para outras, representa incapacidade de administrar o tempo. Já nos hábitos pessoais, ele diz que a tecnologia acentua as tendências pessoais. Os workaholics ficam ainda mais conectados ao trabalho, mas quem já administrava seu tempo, simplesmente se desliga nos finais de semana e se dedica a outras atividades.

Porém, como não se sobrecarregar com essa facilidade toda de estar conectado? “A pessoa que era workaholic, trabalhava até tarde e aos finais de semana no escritório, vai continuar trabalhando assim em casa. Para as pessoas ‘normais’, é preciso ter disciplina para cumprir os horários determinados, seja das tarefas de casa ou do trabalho. Nesse ponto, saber desplugar-se das tecnologias ajuda muito (desligar o celular/notebook)”, diz Calligari.

Optar por profissionais que não estejam fixos dentro das empresas funciona muito bem para muitas corporações, além de ser vantajoso. Os espaços físicos, muitas vezes, custam muito caro, principalmente nas grandes capitais. Com funcionários fora do escritório, a empresa pode economizar em espaço. Uma segunda vantagem é oferecer bem-estar aos funcionários, evitando horas de trânsito e preocupações que se deslocar ao trabalho, todos os dias, causam.

Para aqueles que trabalham fora do escritório, restam fazer algumas recomendações. “A principal é não se isolar do resto da empresa. Muita coisa ainda acontece no ambiente corporativo, depende do contato pessoal e não dá para reportar usando e-mail ou telefone. Por exemplo, mostrar para as pessoas seu trabalho ou fazer networking com colegas de empresa. Outro ponto para não se isolar é o aprendizado: os problemas do dia a dia e a convivência com outras pessoas trazem muitas lições que não se têm quando você está só”, enfatiza Calligari.

Já a dica de Walmar é para que, no excesso de liberdade, se mantenha o bom senso. “Antes de fazer algo, pense: estou fazendo para a empresa o que eu gostaria que ela fizesse para mim? Se fosse eu o chefe, acharia correto essa atitude? Se as respostas forem positivas, siga em frente e faça. Do contrário, melhor fazer a coisa certa”, finaliza.

Walmar Andrade
Perguntas dos alunos