Folha de Pernambuco: Se não dá na redação, vai pela internet mesmo

Folha de Pernambuco: Se não dá na redação, vai pela internet mesmo

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Matéria originalmente publicada no caderno de Informática da Folha de Pernambuco em setembro de 2001 pelo jornalista Márcio Padrão.

Recentemente, a Justiça derrubou a lei que exige o diploma universitário para a prática de jornalismo, o que aumentou o debate sobre a disputa de espaço dos profissionais formados contra os não-formados. Alheios à polêmica, os estudantes das universidades Federal e Católica de Pernambuco não se acomodaram frente às expectativas mais pessimistas e, num mercado cada vez mais competitivo, encontraram na Internet um meio para aprimorar e divulgar as matérias-primas do futuro emprego: seus textos.

Umo curso de coincidências marcam as duas iniciativas. A “Página OBC…”, como é chamada a homepage da turma do segundo período de jornalismo da UFPE, serve para suprir a vontade dos alunos de treinar a escrita.

“Como os professores da universidade estão em greve, estamos com mais tempo livre e redigimos mais textos. Mas estamos no começo do curso e ainda não tivemos aulas práticas para escrever melhor”, diz o desenvolvedor Walmar Andrade, 19 anos. A edição zero começou discreta, divulgando um roteiro de curta-metragem de uma das alunas da sala. Atualmente, saem novidades toda semana, às terças-feiras. O professor Paulo Cunha, um dos fundadores do Projeto Virtus, elogiou a iniciativa.

Do outro lado, o “Mais Interação” também foi criado por uma turma do segundo período, mas da Unicap. Assim como no “PáginaOBC…”, que usa o HpG, os alunos usam um serviço gratuito da Rede para hospedar a página (cjb.net); que também é uma “válvula de escape” para os estudantes exercitarem o texto jornalístico.

O editor do site, Eduardo Cavalcanti, 18, se reúne com os repórteres e distribui pautas pré-definidas, mas lhes dá liberdade para tentar outros assuntos. “A linha editorial é o resultado da produção final dos alunos”, explica Eduardo. No geral, os dois jornais online priorizam artigos de cultura, indo do CD da banda Gorillaz até uma abordagem da música eletrônica.

As páginas são produzidas da maneira mais simples possível, no formato HTML, para que os artigos e reportagens sejam o principal chamariz. Walmar usa o Microsoft Frontpage e o conhecimento que adquiriu em algumas aulas de computação do curso. “Na última atualização, colocamos um espaço para os internautas darem suas opiniões”. Já Eduardo pretende mudar o site para a tecnologia PHP, além de incluir algumas fotos nas matérias. “Estamos à cata de uma empresa de fotografia que financie a revelação dos negativos”, adianta.

Walmar Andrade
Perguntas dos alunos