Diario de Pernambuco: Web se abre à mídia colaborativa

Diario de Pernambuco: Web se abre à mídia colaborativa

Matéria originalmente publicada no caderno Viver do Diario de Pernambuco no dia 23 de agosto de 2005 pelo repórter André Dib sobre jornalismo colaborativo na internet.

Há 10 anos, quando a internet começou a se popularizar, o desejo de uma grande interatividade entre público e Imprensa parecia ter-se tornado realidade. Entre enquetes e janelas para comentários, algum tempo se passou antes que a forma de se comunicar realmente tomasse novos contornos, cada vez mais definidos pelo que se chama de mídia colaborativa, ou open source (código aberto). São vários nomes para a mesma forma de fazer jornalismo, um movimento na mídia que faz parte de um maior: o da cultura livre, cuja força motriz é o conceito do copyleft, território já bem explorado pelo desenvolvimento de softwares livres como o GNU/Linux, e pela música baixada e sampleada nos quatro cantos do planeta.

Claro que o modelo não é novidade (um dos primeiros exemplos de texto colaborativo é o Antigo Testamento), e muito menos está ligado a ativismos ideológicos específicos. Grandes grupos – como o LA Times, a BBC de Londres e a Current TV, emissora que tem como um dos sócios o político americano Al Gore, têm investido nesta forma de produzir notícias.

No Brasil, um dos primeiros sites colaborativos é o Parla, mantido pela jornalista gaúcha Ana Maria Brambilla. A confiabilidade deste modelo de noticiário é um dos focos de sua dissertação de mestrado. “A exigência de cópia do RG, foto e outras informações sobre o cidadão-repórter está diretamente relacionada à busca pela credibilidade do conteúdo. Para além disso, a maior proteção que se pode criar contra o vandalismo da informação vem de uma estratégia ofensiva, ou seja, ninguém é somente leitor e, no momento em que todos podem interferir no conteúdo, todos tornam-se responsáveis por ele”, analisa Brambilla.

De acordo ela, a mídia colaborativa se aproxima mais dos fatos do que no noticiário convencional. “A razão é simples: os cidadãos-repórteres escrevem sobre seus cotidianos, sobre aquilo que mais têm domínio e, portanto, propriedade para relatar. São narrativas que aproximam ao máximo o leitor e a fonte”, avalia. Mas e quanto aos profissionais? Brambilla garante quenão precisam jogar os diplomas fora. “Se admitirmos a participação do público na construção da mensagem midiática, o trabalho do jornalista só tende a enriquecer em detalhes e aproximar-se ainda mais de sua razão de ser – o público”.

Em Pernambuco, a primeira experiência no formato colaborativo entrou no ar no início deste mês. O site cultural Rodape acumula nove seções, assinadas por uma equipe fixa e por internautas cadastrados. “A idéia surgiu quando estava elaborando o trabalho de conclusão de curso de Jornalismo e cheguei à conclusão que uma das formas de fazer com que o internauta volte ao site é fazer com que, de alguma forma, ele deixe sua marca por lá”, relata o jornalista Walmar Andrade. Além de publicar textos, os leitores podem alterar o que já está publicado. “O Reescreva é lido e, se aprovado, publicado com a assinatura do internauta”, explica.

Walmar Andrade
Perguntas dos alunos